terça-feira, 17 de abril de 2007

Montanha Russa

Lu Minami

Ouvindo: Entre Dos Águas
(Paco DeLucia)


Livre, livre, livre! Ela estava se sentindo tão leve com toda aquela vida que resolvera povoar seus dias de maneira tão abrupta... Tinha a sensação de estar sempre com água na boca, em busca da água que podia saciá-la e fazer brilhar seus olhos.

E ensaiava versos cantados em voz alta para todas as esquinas pudessem se acostumar com a euforia desprendida que pulava de sua garganta de minuto em minuto. Era quase preciso segura-la entre as mãozinhas delicadas e brancas.

Não era um novo amor, nem uma nova ocupação. Não tinha a ver com a paixão e nem com aquela ira toda que resolvera soltar aos berros numa estrada dirigida a esmo há alguns meses atrás.

Tinha a sensação inteira de estar numa montanha russa. Sentia o frio na barriga e a pressão na nuca. Sentia o vento que vinha rápido contra seus olhos, espremendo-os para enxergar um pouco além. Tinha tanto medo da tristeza.

Não queria morrer. Doía pensar na possibilidade dos trilhos se desencaixarem e o carrinho cair lá de cima espatifando toda a sua existência em caquinhos que nunca serão reconhecidos como seus.

E quem poderia recolhê-los? E sua alma, quem é que ia lembrar e celebrar?
Havia alma no mundo de hoje que pudesse celebrar a sua? Havia liberdade suficiente capaz de aprisioná-la dentro de si mesma?

Tremeu. Suou.
Parem esses trilhos, ela ordenou.

Mas talvez, por uma possibilidade remota, o controlador da montanha russa estivesse saído para tomar um café. E a senhora, que sempre a via nas esquinas, fora assar biscoitos e fumar um cigarro.

2 comentários:

Jú Mancin disse...

É, o controlador da minha montanha foi tomar café e me deixou em slowmotion na subida...quero ver quando chegar o topo.

Desafinado disse...

Por isso eu prefiro os carrinho bate-bate!Segurança!rs

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