quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Roda viva

Lu Minami

Ouvindo: só a minha respiração.


Como diz meu pai: isso é ponto de verdade absoluta.

É engraçado. Tem épocas em que o mundo parece desabar. Alguém morre e você descobre dias depois que alguém muito próximo a você está doente e isso significa anos a fio de dedicação, pelo menos nos próximos 7 ou 8 anos. E estranhamente, você já viu esse filme antes e bem de perto.

É como assistir a segunda metade de um filme antes da primeira. É ver a morte antes do nascer. É ver a dor, antes de sorrir. É contrariar uma sequência que você sabe que existe, mas não sabe como vai ser.

Eu sei como vai ser. Sei tudo o que vai acontecer e do mundo de coisas que eram fortes que agora vão se tornar frágeis e quebradiças. Sei que tudo vai ser posto à prova.

Eu achava que já tínhamos visto demais. Mas parece que o homem lá de cima achou que a gente precisava de outra lição. Eu entendo, a gente não aprendeu da última vez né?

Às vezes, é preciso sofrer tudo de novo.
Em contrapartida, a vida nos dá um fôlego, só para aguentar o tranco subsequente. Uma nova vidinha, olha, acabou de nascer. E a gente deseja a felicidade como se ela pudesse ser comprada numa loja, como se ela pudesse ser dada de presente.

Mesmo que a gente sofra tudo de novo. Sempre vai haver algum motivo para desistir da idéia de simplesmente desistir.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Hype!

Jú Mancin

Ouvindo Bleed for me, Pearl Jam (ao vivo 03 de dezembro de 2005, SP)

Hype! é o documentário definitivo sobre os "grunge years". Era o que faltava alguém dizer sobre o boom, que transformou o noroeste dos EUA no centro do mundo do rock. Era o que eu queria ouvir da boca de quem realmente viveu aquilo.

AUTÊNTICO! Isso é o que se pode dizer do movimento musical que ditou as regras na década de 90.

Camisas xadrez, bermudas compridas, cabelos desgrenhados, grunhidos ao microfone, mosh(s) no público, estilhaços de guitarras, baquetas e amplificadores. Cinismo e sarcasmo (dois dos elementos que garantiram a boa formação do meu caráter). Touch me, I´m sick! era o que eles tinham a dizer à um mundo nocego e surdo, que fez que ouviu, mas até hoje, parece não ter entendido o grito que ecoou de Seattle.

Shiiiiiiii...ouve, ouve!

Enjoy your youth...
If you hate something, don't you do it too...too...
All that's sacred comes from youth...
This is not for you...

Don´t look down...
The sound of my soul to capture you and let you go...
It's a revelation revolution...
Make it now...
move out...
So, I move with the wind if I move at all...
Our time is coming...This is our time...
I´m sick, I´m tired,
REVOLTUION!
...smells like teen spirit...





segunda-feira, 31 de julho de 2006

Meu mundo...

Jú Mancin


Ouvindo Sympathy for the devil, Rolling Stones (ao vivo, gravado entre 1963 e 1971)

*** Cacete Lú, tô congelando aqui, e leio a tua história aqui embaixo, congelei de verdade!***
&

Tava pensando esses dias, ando meio introspectica demais. Não sei a causa, e é provável, que nunca venha a saber, mas o fato é que ando vivendo no meu mundo.

Aqui o céu é azul, a temperatura é sempre muito agradável, depois da chuva que cai à tarde, o sol desponta no horizonte, onde se põe tranquilamente, e cede lugar à Lua encatanda. A música toca sem parar. Rock tem guitarra, baixo, bateria e vocal. E música brasileira, é pura poesia - Poesia e ritmo - Aqui eu trabalho para viver, e não vivo para trabalhar, tenho coisas mais importantes à fazer. Tenho amigos pra paparicar e um amor maior que o mundo, que me dá a cada minuto, a certeza de estar no meu caminho. Ah, sobre o amor, aqui ele é genuíno, verdadeiro e para a vida toda. Ele faz sonhar, faz tremer, faz chorar e rir, ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. E sobre os amigos, aqui eles são leais, não se deixam levar por qualquer sensação barata. Aqui se respeita o liberdade alheia, sem se privar da própria. Aqui não tem política, nem eleição, todos são donos de suas vontades, e é incrível, a anarquia funciona! Aqui vivo sem problemas, quero dizer, só com os meus problemas, não os TEUS, os MEUS, entende? É mais fácil assim. Acho que estou além do arco-íris, mesmo.

Mas sabe qual é o melhor daqui? Só entra quem eu quero que entre! E se entrar e me incomodar, eu mando sair, e puff...como mágica, tchaaau persona non-grata.

Adooooro isso!

Vou nessa, preciso encontrar os cookies fresquinhos que alguém escondeu por aqui.

Vejo vocês em outra vida!!!

sábado, 29 de julho de 2006

Meia suja e molhada

Lu Minami

Ouvindo: The Boogie Monster, Gnarls Barkley


Existe algo mais desconfortável do que meia molhada no pé?

Ei, sério. Me responde. Imagine que você esteja com frio, depois de ter tomado uma chuva. Mas deixa eu explicar como é essa chuva. Não é nenhuma chuvinha refrescante, de verão, no meio da tarde na praia. Não! É uma chuva com vento, gelada, com gotinhas pequenas e irritantes entrando no olho e embaraçando todo o cabelo. Ah, você entendeu precisamente. É irritante!

Pois é. Aí você está no meio dessa chuva, com um casaco que se torna pesado e antiquado depois de molhado, munida de um guarda-chuva um pouco enferrujado que abre as hastes para cima, como num filme de comédia, em que rimos da desgraça alheia. Pois é, o pobre coitado fica parecendo um bicho com as pernas abertas e para cima. É, eu sei... é bem constrangedor se pensarmos. Daí, você anda pela rua que já está lotada de entulho e fedida, com um riozinho lamacento, cheio de papel de bala e bituca que impossibilita o seu caminho. É claro que seu sapato vai molhar. É claro que você vai sentir frio e pensar que é uma desgraçada nessa cidade doida e cinzenta.

Você rezou um mês inteiro para essa chuva chegar e levar toda essa sujeira do ar, do seu carro cheio de pó, do seu coração seco, da garganta arranhada. E aí, essa chuva te traz todo esse entulho para você travar as pernas, sentir frio na barriga e desarrumar o cabelo que tenta encobrir olheiras cansadas de tanto trabalhar. Essa sujeira que deveria ser levada para longe com a água e o vento me deixou com frio, desprotegida e completamente exposta.

Mas que porra!
Porque eu tinha que encontrar você justo hoje?

Seu... seu... Seu par de meias molhadas!!

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Trocando o assunto... escutem Gnarls Barkley (St. Elsewhere).
Mude tudo e dance muito.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Adorei esse lance de missão!

Lu Minami

Ouvindo: Level, The Racounteurs.

rs... Fiquei imaginando como seria sair por aí e dar de cara com uma cartinha dizendo qual é a minha missão nesse mundo. A gente vive a vida toda tentando descobrir porquê cargas d´água está aqui, perambulando e interferindo em tudo.

"Cara humanóide Luciana:
1) Esqueça essa carreira de publicitária (e não a troque pela de advogada. Pode até melhorar, mas acredite: dá no mesmo).
2) Esqueça esse lance de entender tudo e mantenha-se na superfície. Pode ser que você entenda que não há nada para ser entendido.
3) Acredite nas conspirações. Geralmente é onde mora a verdade. É que eu as mantenho absurdas para serem desacreditadas mesmo.
4) Vá. Não importa como, mas vá.
5) Gaste seu dinheiro em bons shows, livros, Cds e filmes. Nada de previdência privada PGBL, VGBL, seguro de vida, liquidez, etc.
6) Pare. E respire.
7) Pare de insistir nisso. É sério.
8) Gaste seu tempo ocioso com papo furado. Discuta a origem do planeta, o final de LOST, a situação do Corinthians, etc.
9) Durma bem.
10) Coma bastante e sempre imagine: não existem calorias nesse hamburger."

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