segunda-feira, 29 de outubro de 2007

sou-lhe submissa. - ah! sou louca!

Jú Mancin

d °_° b chick habit, april march

"Contou-me ter remorsos, esperanças, o
que não deve me dizer respeito. Fala ele com
Deus? Talvez devesse me dirigir a Deus. Estou
no fundo do abismo e já não sei mais rezar."

Ela não conhecia Rimbaud mas vivia no inferno. Bem sabia o que era estar à mercê da serpente. Sentia raiva. Sozinha na cama pensava "um dia eu te engulo o coração!", e chorava de dor [ele não tem coração]. Longe, morria aos poucos. Jurava vingança. Odiava-o por cada minuto de ausência. Blasfemava. [MALDITO SEJA O AMOR!!!].

Ele, o monstro, voava por aí, cuspindo nos santos, chutando os cachorros, cantando pros gatos. Sempre ia e sempre voltava, sorrindo friamente e ardendo feito fogo. Não fazia promessas e se escondia atrás das cortinas negras [lindos olhos negros]. Sussurava encanto em seus ouvidos e a devorava. Ele sabia parar o tempo.

Ela com ele era melhor. Tudo era. Seu corpo brilhava. Ela era o Sol! Dormia em seus braços como quem deita em cama de seda.

Ele esperava o silêncio e fugia nas sombras...

Ela chorava, sentia e morria.

Ele sorria!

Um dia ela o matou. Comeu seu coração, enterrou seus restos na curva do rio e seguiu adiante pensando "eu vou reinventar o amor!".

E ela nem conhecia Rimbaud...

9 comentários:

Renato Busso disse...

Quem reinventou o amor
expica por favor!

Sunset disse...

Texto forte, encorpado... como uma cerveja de inverno.

Gostei.

jú mancin disse...

praticamente um baden baden red ale! rs

obrigada!

Desafinado disse...

Comentário interessante da Sunset.

Ligia disse...

Bravo!!!!! Espetacular!!!!

mr. postman disse...

ele não é tudo isso não... ela talvez seja louca... mas é certo que há uma ligação intergaláctica entre essas duas entidades cósmicas.

Lu disse...

HOHOHOHOHOHO

Leonor Cordeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonor Cordeiro disse...

Obrigada pela visita lá no Palavras.
Gostei da maneira como você escreve.
Vou voltar !
bjs
Leonor Cordeiro

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