Lu Minami
Ouvindo: Noite dos Mascarados(Chico Buarque)Meu amor, me espera na janela.
Vou até ali ver a gente passar, pisar em serpentinas, jogar confetes para o ar como quem joga flores para você.
Vou cantar e sentir o calor invadir minha boca, com força e ver o sangue jorrar.
É só um pouco, amor. É só até tudo virar cinzas. Já me guardei tanto até esse dia chegar.
Eu entrego essa fantasia para você me amar na manhã do sábado de carnaval.
Eu te dou meus cheiros e pego o seu gosto no domingo, para não confundir o resto da gente e bandolear sem querer, sem rumo.
Eu vou ali um pouquinho só, amor... respirar purpurina e chorar brocado.
Abraçar a avenida e desfilar o cetim prateado.
Não seja tolo, claro que me lembrarei de você.
Na segunda, deixo o vestido afrouxar, a pele respirar e o sorriso brotar. Na cidade laranja do meu coração.
A voz sumiu com a dona da voz na última noite, na despedida.
Sim amor, eu sei que não precisa se despedir de mim.
Não, eu não vou embora.
Eu volto, fica na janela me esperando, me vendo passar.
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr.
Vem, fica comigo porque tudo acabou, amor.
Me consola... acorda e mata-me de rir, nessa quarta-feira que ninguém ama.
Esse dia que vai embora pela estrada e que demora a voltar.
O dia nem chegou e eu já choro de saudade em pensar no salão e nas máscaras que caíam no chão.