segunda-feira, 27 de junho de 2005

Longe de tudo


Jú Mancin


Ouvindo My Friends, Red Hot Chili Peppers

Tá muito cedo e eu não faço a menor idéia do porque eu não estou dormindo, afinal de contas, ser a vagal de um a família trabalhadeira deve servir pra alguma coisa, tipo, dormir numa manhã de segunda. Mas o caso é que eu não estou.

Acordei porque dormi sem sonhar e não sonhei porque não tinha com o quê. Porque meu coração está cheio de vazio. Cheio de indiferença. Estou me sentindo perdida e entre estranhos. Parece que as pessoas não estão mais me enxergando. Será que a Matrix deu pau? Estou com a sensação que sim. Tô me sentindo enganda. Sabe, aquela história de abrir sedento, um pacote de bolachas esperando algo crocante e doce...e depois da primeira mordida vem a dura realidade. As bolachas são salgadas. Não que eu não goste de biscoitos salgados, mas é que o que eu realmente queria era algo doce. É mais ou menos isso.

Quando digo que meu guru é o Peter Pan, na verdade, estou afirmando que não quero deixar de lado a infância, a inocência, o amor puro e sem cobranças. Mas acho que algumas pessoas à minha volta estão me entendendo mal. Vou ser mais objetiva QUERO SER CRIANÇA. E criança não se ofende por causa "namoricos" sem propósito. Crianças não manipulam pessoas. Não viram as costas e saem andando. Isso é coisa de adolescente, naquela idade maldita, da auto-afirmação e do egocentrismo. Não que eu não me lembre com saudade dessa época, meu maiores amigos vêm daí. Minhas músicas. Meus ídolos e tudo que eu tanto preservo. Mas convenhamos é uma idade chata.

Queria estar em Jurupema. Longe de tudo e perto de mim.

sexta-feira, 24 de junho de 2005

Carta para você, um bandido.

Lu Minami

Ouvindo: O que será (à flor da pele), Chico Buarque

Te quero. Fico nessas de dizer que não, mas sou louca para ter acessos de insanidade na sua presença. Adoro quando você atravessa o olhar na mesa em busca dos meus seios e, em seguida da minha boca. Sinto arrepios quando você percebe que eu gosto.

Eu sei que não existe amor e nem paixão entre a gente. É carne mesmo. Vontade de pegar e arrastar, me postar do jeito que você bem entender e invadir meus terrenos que eu finjo proteger tão bem. Finjo tanto que digo não querendo dizer sim, sim, sim. Dizem que não tenho pudor. Eu finjo que tenho e às vezes esse fingimento acaba vencendo e deixo de viver essas meia-horas com você. Sim, porque em meia hora, eu e você nos resolveríamos, cansados, um de cada lado, querendo dormir ou ir embora. Sem conversa porque não temos o que falar. Vou acender meu cigarro envergonhada e cobrir meu corpo com aqueles lençóis deproporcionalmente gigantes dos motéis de São Paulo.

Com você, acho que deixaria um bilhete no espelho escrito em batom vermelho. É vulgar, mas no nosso rascunho de história, ficaria bonito. Soaria metropolitano, corriqueiro, casual e ao mesmo tempo, soaria belo como concreto.

Fico imaginando minhas histórias de amor verdadeiras, aquelas em que sofro, choro e definho e te coloco como personagem que vai derrubá-los, inferiorizá-los e deixá-los pensando "Desgraçada! Quem é esse cara?".

Mas e aí, temos que nos resolver, certo?
Eu te disse uma vez, que resolveríamos essa questão numa noite dessas. E vamos.
Me falta coragem e sobra medo de me apaixonar por um traste como você.

Mas no final, todos são.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Minha vida sem mim

Lu Minami

Ouvindo: Song for a cynic, Teenage Fanclub

Quem estaria sentada aqui digitando palavras sem nexo e devaneios sem rumo? Quem é que dirigiria feliz por qualquer estrada, mesmo caindo de cansada? Quem alisaria seu bichinho de estimação?
Quem vai dizer que meus filhos se chamarão Luisa, Teo e Sofia? Quem é que sonharia com uma casa de janelas azuis e margaridas nos canteiros, cercas brancas e portão baixo na grama fofa? Quem é que teria uma coleção de Chico Buarque e Pablo Neruda? Quem é que se emociona, se machuca e fica mais bonita quando sofre?
Quem é que idealizaria tantas confusões sentimentais, tantos bailes de máscara, tantas noites sem fim, manhãs claras e ensolaradas? Quem, em meu lugar, realizaria meus sonhos? Quem, assim como eu, teria se apaixonado já tantas vezes que perdeu a conta?
Quem, como eu, se esquece das datas comemorativas e importantes porque não se apega ao tempo? Quem, além de mim, gosta de ser beijada pelo vento e ser levada sem rumo através do mar até um fio de pensamento? Quem nunca viu estrelas cadentes, mesmo em Trindade?
Quem, em meu lugar, já teria dançado uma ciranda na praia, de madrugada, abraçando dezenas de pessoas felizes ao mesmo tempo? Quem, além de mim, fez tantos pedidos de amor e harmonia 1 mês depois do reveillon, pulando ondas no escuro? Quem se confunde, desliza e escorrega como eu?
Quem fica sem palavras, sem reações, parece apática apesar da tormenta de sentimentos, como eu? Quem, além de mim, gosta tanto da poesia da cidade, das xícaras de café quebradas, das putas desoladas da Augusta e de cinema como eu? Quem, além de mim, vai dizer que a vida deve ser levada aos poucos, mesmo sendo acelerada?
Quem, além de mim, te amou tanto quanto eu?
Quem?

terça-feira, 21 de junho de 2005

...FODA-SE...

Jú Mancin
Ouvindo Blitzkrieg, Rob Zombie (uma versão da original interpretada pelos Ramones)
O dia tá feio demais, propício para um exorcismo de coisas irritantes, e a melhor forma de exorcizar, ao meu ver, é tacando um FODA-SE...
a seleção brasileira
o presidente Lula
a audiência do Pânico
as provas semestrais
a hipocrisia
o deputado Jefferson
o falta de grana
minhas gorduras localizadas
a novela América
os falsos amigos
o Wagner Love
a falta q alguém me faz
meu medo de crescer
esse tempo ruim
os Direitos Humanos
o meu egoísmo e o seu também.
Enfim...FODA-SE...

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Ah se eu pudesse voltar no tempo...


Jú Mancin

Ouvindo Smells Like teen Spirit, Nirvana.

Ontem assisti a um clássico da minha época, SINGLES Vida de Solteiro, e o filme me levou a uma viagem no tempo, por alguns segundos tive a sensação de ter novamente quinze anos, vi o Lane Staley numa performance no palco, algo comum naquele tempo, bastava ligar a TV no canal 32 para assistir a uma entrevista de algum grunge suspreso com tanto sucesso.
E aproveitando o surto de nostalgia, assisti a um vídeo com entrevistas.

“Estou tentando montar um show que combine com a música. Que o show seja cheio de vida, um festival...uma festa. Quero que as pessoas celebrem, quero enchê-las de alegria. Porque tudo o mais é uma porcaria no mundo, durante o curso do dia. Quero que quando estiverem lá dentro, não importa como sejam, clubber ou roqueiros, quero que se libertem, quero que aproveitem. E digam: Foda-se!”

Farrel idealizando, com lágrimas nos olhos, o maior de todos os festivais de música.
Lollapalooza!

“Para quem não sabe somos os Red Hot Chili Peppers. Estamos no topo de Hollywood, na torre da Capitol. Nunca ouviu falar de nós? Tudo bem. Nós tocamos hardcore, rock psicodélico sexy do Paraíso. Nós perpetuamos o funk. Queremos penetrar fundo em vocês. Prestem atenção no que digo.”
Anthony Kieds apresentando sua banda.

A propósito prestei atenção Anthony, e vocês, de fato, penetraram fundo.

“Sou Dave e toco bateria. Sou Kurt, toco guitarra e canto. Sou Krist e toco baixo.”
Os três elementos se apresentando. Antes do mundo aclamá-los como a maior revolução na história do rock, desde os Beatles. Isso quem afirma é a crítica.

“...descobrimos o pessoal do campo, com suas camisas de flanela...”
Grunges???

“Não trabalhamos há dois anos. E encorajo todos a não trabalhar. Deixe disso. Só vai viver 70 anos se tiver sorte. E contribuímos para uma sociedade materialista. Então deixe disso. DIVIRTA-SE. Fume maconha. Beba cerveja, beba. Tome todas. Engravide todo mundo. Não fique grávida. Não reproduza.”

Krist Novoselic e Dave Grohl divagando sobre o mundo moderno.

Foi um revival e tanto. Vi minha vida passando diante dos meus olhos. Meus discos, meus livros, meus pôsteres. Minha parede era forrada. Eu dormia e acordava com meus ídolos.

Na época não conhecia Goethe, e o sofrimento do jovem Werther passava despercebido por mim, Crime e Castigo eram palavras associadas mas não de maneira profunda, eu sabia que uma coisa levava a outra, mas não tão intensamente como para Dostoyevski. Acreditava em Deus, e acharia Sartre um herege se me dissesse que Deus está morto, e achava que eu tinha salvação. Doce ilusão a minha. Éramos todos crianças, o mal não nos afetava. Não poderia imaginar o Kurt com uma bala na cabeça, aos vinte e seis anos, nem o Lane sendo encontrado morto já em estado de putrefação.

Não sabia o quanto doeria olhar para trás.

Tudo era tão perfeito que a dor não fazia sentido para mim. Qualquer analgésico curava minha dor de cabeça, que ainda não era enxaqueca causada pelo excesso de café e cigarros, e noites mal dormidas.
O maior problema que tinha a resolver era a maldita equação de segundo grau, que a professora Nilde passava na lousa, e nos chamava para resolver, e valendo nota para a prova bimestral. Pense! Acertando o problema ali, você estava dispensado do exercício na prova. Eram dois pontos garantidos, para a fia da puta que viria no fim do bimestre.
Por que a sábia anciã nunca me disse que aquilo era nada, diante do que eu viria a enfrentar aos vinte e “poucos” anos?
Era simples ficar bem. Um almoço em família, isso incluía minha mãe. Uma viagem à praia, e a praia em questão era o Guarujá, em seus áureos tempos. As férias na pequena e pacata Jurupema, e essa continua intocada, o que complicou foi a distância. Antes a quantidade de pedágios servia como forma de contar a distância, agora só me faz lembrar o quanto sai caro viajar para lá uma vez por mês. Tudo era fácil. Para ouvir músicas boas bastava ligar o rádio ou a TV, estavam lá, todos os grunges com suas camisas xadrez flaneladas. Esgoelando suas mensagens. Esmirilhando suas guitarras em riffs inesquecíveis. De Seattle para o mundo, e para mim. E para sempre!
E hoje, o que me resta é o futuro. O vazio de algo em que não acredito. Se eu pudesse voltar no tempo, me congelaria diante da TV ligada, antes de entrar no busão escolar, com meus pensamentos em tudo, menos na aula, olhando para a cara do Kurt, no clipe de Smells Like Teen Spirit. Em minhas narinas ficaria gravado o cheiro da juventude e toda sua força. Na mente, todos os meus sonhos engavetados. Toda a minha esperança em algo bom e verdadeiro.

“MY LIFE IS FALLING TO PIECES. SOMEBODY PUT ME TOGETHER” Já dizia Mike Patton.

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