quinta-feira, 13 de março de 2008

(L)

Jú Mancin


d °_° b back to black, amy winehouse

Eu tenho uma porção de coisas pra te contar, coisas que eu sei que não fazem diferença, que não fazem sentido, coisas que sequer são importantes, e, a bem da verdade, quero te falar de coisas que não existem...
Queria te contar as coisas da ilha.
Essa ilha em que vivo depois de você. Onde o céu é azul, à noite chove estrelas, de dia o sol brilha, e muitas vezes, à tarde, bem no fim da tarde, o sol vai caindo, vai marcando de dourado por tudo o que vai passando, todas as coisas ganham o “banhado à ouro”. Rouxinóis, bem-te-vis, pardais e pintassilgos, belos canários e todas as vozes que voam embalando meu sono na rede.
Drummonds, Hilsts, Nerudas e Lispectors sussurram amor e lágrimas e sexo e toda a safra de sonhos que se vão na alma dos poetas.
Aqui na ilha, às vezes o tempo fecha, e chove por dias. E parece que o sol não mais brilhará [mas ele brilha].
Aqui na ilha é só saudade. [sô saudade!]
Há um cais, um porto e uma vela. Há uma festa pra sua chegada, e um silêncio pras partidas. E há o melhor de mim, melhor ainda por você, que me prendeu nessa ilha!
Eu queria mesmo, era te contar os segredos de nós dois e as verdades sobre o mundo, sobre o nosso mundo.
Se lhe fosse ser sincera, eu diria que o queria mesmo aqui...
Mas eu não sou sincera. E isso que deveria ser mais uma carta de amor, não passa de um bilhetinho azul, esquecido num canto perto do telefone, com cinco ou seis rabiscos sobre as coisas que não existem e que eu queria te contar!

terça-feira, 11 de março de 2008

.felicidades!.

Jú Mancin

d °_° b diz que fui por aí, fernanda takai

e só o que vejo são os teus olhos
a boca, a mão, os dedos
e só o que vejo sou eu
nos teus olhos e boca e mão e dedos
é só o que vejo.

[two worlds colided]

e palavras e sonhos e sonhos e sonhos...
te desejo o mundo e toda a sorte,
e todo o amor que houver nessa vida.
te desejo!

feliz des.aniversário!

Dias perfeitos

Lu Minami


Ouvindo: I am the ressurection
(The Stone Roses)


Te desconstruí aqui dentro, em pequenas partes. Cada dia um capítulo interminado, uma canção pela metade. Cada dia um prólogo estranho, quase como se não conhecesse. Parei naquela esquina e não disse adeus. Você sorriu com esse azul pálido dos seus olhos enormes e a jaqueta preta surrada. Enfiei minhas mãos nos seus bolsos e me deixei segurar por mãos calejadas.

Eu ainda lembro da guitarra encostada, mas gosto daquele espelho redondo da sua sala, onde me via com aquela camiseta encardida de uma banda antiga que a gente gosta. Lembro de cada nota dita por você em mim, lembro das nossas partes... partituras... jogadas pelo chão. E eu não ligo se quando eu canto, você compõe e nada combina, não ligo porque a minha voz combina dentro de você e a sua cabe perfeitamente nas curvas dos meus ombros.

Cada dia um dia diferente, com os meus e seus romances e as nossas esquisitices. E a gente apostando o nosso coração até não sobrar gota nenhuma dentro da gente, só para ver quem é que perde antes do outro. Eu sempre ganho, não? Me perdoa um dia, porque no fim das contas quem anda perdendo tudo sou eu.

O tanto que você amou é mais do que eu precisava, mas eu com a população de reis e rainhas aqui no meu estômago, achei tudo errado e fora de compasso. E você, que toca tão bem não soube marcar meu refrão. E se soubesse como, eu diria que eu nunca me repeti antes. [mentira]

Te amo sem saber como começa e onde termina. Você fica por perto sem saber por quanto tempo eu suporto. E nunca é tempo suficiente. Me perdoa de novo. Não nasci para ser feliz. Não deu para ser o padrão que você queria de menina louca que percebe a felicidade que bate à porta.

Eu prefiro ir até a sua porta quando convém e me jogar na nossa tristeza de canções partidas no chão.

segunda-feira, 10 de março de 2008

.L.ouvado.S.eja.D.eus que nos deu o rock n´roll.

Jú Mancin

d °_* b blonde on blonde (o álbum), bob DYLAN

Sem palavras pra expressar! Eu vi deus empunhando uma guitarra. E a voz rouca e sincera do caipira simplista já não é mais a mesma. Agora é melhor. Vem carregada de um mundo que ele guarda dentro do peito.

Bob Dylan no Rio. Eu fui! E irei quantas outras vezes tiver...

...liKe a roLlIng sTONE forever!!!...

+-+

e na poltrona 32 do busão das 23, eu conclui que tudo vale a pena!

terça-feira, 4 de março de 2008

Sonhos de verão

Lu Minami


Ouvindo: Just
(Radiohead)


Quis que o vento entrasse com força pela janela. E derrubasse os móveis, os discos, misturasse as páginas dos livros esquecidos. Levasse embora o cheiro. Cheiro maldito teu que fica esparramado no meu quarto, dentro das gavetas, debaixo do travesseiro, nas frestas das lagartixas, entre fotos e bilhetes que há tempos já rasguei. E o vento brincando com a cortina e nada de te levar embora. Quis a chuva. Que ela lavasse a sua presença, deixasse o carpete molhado e gelado, sem o contorno morno que teu corpo fazia quando deitava ali. E a chuva só me fez lembrar das tardes, de tantas tardes e noites. As madrugadas umidas.Desejei que o sol secasse sua sombra, evaporasse seus suores, seus olhos molhados de despedida. Ou eram os meus? Deviam ser os meus. Que evaporasse sua boca para calar-te então. Que sangrasse e morresse. De nada adianta essa incerteza do verão, esse calor que empurra para dentro de mim o pavor que não consigo mandar embora. O pavor de você não chegar se um dia o inverno retornar.

[Pavor. Apavoro. Devoro. Evoco. Adoro. Invoco.]

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