sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quando flutua e voa



Lu Minami


Ouvindo: Evaporar
(Little Joy)


Inspiro um ar novo. Assim, fresco. Não muito quente e nem parado, mas uma leve brisa que levanta saias por aí, desarruma cabelos bem penteados, faz voar baixo, perto do chão, pequenas coisas abandonadas.

E assim espero seguir. Com alguma leveza, esperando que não seja uma leveza falsa, inventada assim por mim, só para evitar o sair-correndo-desesperada pelas vielas sem saída as quais estou acostumada. Sem grandes escaladas, sem tortuosas caminhadas [ah quanto drama], sem precisar esconder e aprisionar o meu medo de sempre. Nada disso.

Tô meio leve. Leve como vestidos bufantes, chinelinhos de palha, palavras bonitas escritas nos muros da minha cidade esperando serem lidas, primeiro cigarro, fins de tarde, começos de manhã, desenhos coloridos espalhados também aguardando serem pendurados numa parede que os mereça.

Às vezes vacilo, é verdade.

Tento procurar, sentir de novo aquele grito de dor que atravessou meu pulmão, transbordou e me deixou morrer afogada na lembrança de tudo. De tudo aquilo que durou tanto tempo e tanto espaço. Tento ainda sentir o cheiro daquela noite, o gosto daquele prato horroroso que você pediu e que ficou doce no momento em que você o tocou para logo em seguida transformar-se em fel borbulhante aqui dentro.

Mas não encontro. Sei lá.

Passei muito tempo cinza, gelada e azeda de podre. Passei muito tempo em forma de bile descartada, inútil, doente.

Tanto que não sei mais se vão conseguir me olhar de outro jeito, se acostumar com essa leveza flutuante furta-cor que estou cuidando com carinho e com quem estou aprendendo a ser atenciosa. Também não sei se vou conseguir.

Mas é coisa nova.

E eu adoro o novo.




2 comentários:

ju mancin disse...

te preocupa não, td mundo se acostuma ao que é bom!

tamo aí mandando brasa...rs
em perfeita simetria!!!

benvindo novo!!!

Anônimo disse...

Se solta, menina, vc é um doce quando está soltinha!

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