quarta-feira, 11 de julho de 2007

nhéc nhéc

Lu Minami


Ouvindo: Rolling Stones prá cacete.


5h40 da manhã.
É, eu vi você saindo pela porta da frente. Pé ante pé, agachando-se para pegar o casaco, a meia, a carteira e o celular. Olhei por entre as cortinas do 7º andar e pensei se você ia tomar um banho e tirar o gosto e o cheiro meus impregnados em algum lugar do seu pescoço.
Ouvi o barulho angustiante dos seus pés no taco de madeira, perto do sofá. Parecia um olhar de desprezo, um leve acenar de uma mão só e as costas se virando para mim. Aquela parte do chão range demais. E ouvi o blam da porta e o clic da maçaneta.
Imaginei que horas seriam. Ah sim, 5h42. Olhei para o céu de novo. Azul escuro e lilás, uma luz estranha, meio morta e uns passarinhos chatos anunciando o dia novo ou aqueles que se despedem de mais uma noite, não sei. Aquele piado era dolorido demais. Começar ou terminar doía no fim das contas. O silencioso durante era melhor.
Vesti calças puídas, tênis e botei meu pulôver desfiado na manga para sair correndo atrás de você. Desci a rua, olhei para os lados e nada havia senão os de sempre, que nada têm a fazer domingo de madrugada a não ser andar para lugar algum.
Era para ser como naquele filme onde ela esquece de colocar as calças e sai correndo atrás do moço bem vestido, no frio, com trilha sonora de tudo-vai-dar-certo-no-final. Passei pela ponte, olhei as luminárias do centro envoltas numa neblina de poluição provavelmente. Nada londrino. Subi correndo a rua Augusta, você pega seu ônibus ali. Mas o que vi nos pontos foram as putas felizes por terem conseguido a grana do fim de semana, a galera saindo do Vegas e do Outs, os gays se abraçando felizes por mais uma trepada a caminho. Os casais de braços dados até chegarem no carro ou no metrô para então brigarem pelo mesmo motivo. “Você não me ama mais!”.
A avenida Paulista cheia de carros e eu olhei dentro de cada ônibus esperando encontrar teu rosto olhando para baixo, procurando alguma musica para cantarolar. Cante aquela do Rolling Stones, eu pedia numa vaga tentativa de ser telepática. Estava sendo patética na verdade. Talvez, só talvez, se eu conseguisse seguir o que minha mãe dizia quando eu era pequena “filha, pense com força, esforce-se que tudo dá certo”. Filhos não ouvem os pais, veio aquela voz metálica dentro da minha cabeça. Que merda...
Andei por toda a avenida, desci a Ministro, caí no Trianon. Haviam os miches de costume, que olhavam para mim e logo desistiam. “Essa maluca não quer a gente, quer só um”. Respiro aliviada o ar gelado e fresco misturado à um pouco de cheiro de esgoto e me sinto em casa. Volto aos poucos, sentindo cada passo meu, no asfalto e nas falhas da calçada; sinto cheiro de pão com perfume barato. Cigarro e aquele cheiro estranho de gelo seco que fica na roupa. Estadão lotado, pernil e gente para todo o lado.
Subo até o sétimo andar. Espero sentada no braço do sofá, observando meus pés brincarem com o ranger dos tacos.

Clic e blam. Meus olhos piscam meio úmidos na sua direção. Você canta baixinho aquela canção.

8 comentários:

GMacin disse...

hum, denso mas sem surpresas.

Lu kd vc?

Sunset disse...

haha, que genial

Sunset disse...

haha, que genial

Lu disse...

gui, eu acho que nao existem muitas surpresas mais nessa vida, prá ser bem sincera e mal humorada.
rs...

estou aqui. ainda. mas com saudade de todo mundo!
:o)

beijo!!!!
Lu

Out of tune disse...

I saw her today at the reception
a glass of wine in her hand.
I knew she was gonna meet her connection,
At her feet was a footlosse man.

and you can´t always get what you want,
Honey, you can´t always get what you want.
But if you try sometimes, yeah,
you just might find you get what yo need!

(...)

Lu disse...

rs...

Polinesio disse...

Ei Lu Japa, gostei desse.
Mais que daquele outro, que vc me mandou outro dia.
Beijos
Poli

Polinesio disse...

Desistiu de escrever, porra?

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