sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Porquê acreditar.

Lu Minami

Ouvindo: Diamonds on the inside, Ben Harper.

Eu acredito no amor. Apesar de todas as feridas feias que foram abertas no meu corpo, apesar de todas as grandes ilusões onde eu mergulhei profunda e densamente, como se ali, naquele escuro, estivesse meu conforto. Apesar de todas as vezes que esperei o telefone tocar, a caixa de emails chegar com novas mensagens, a campainha me acordar e o coração abrandar. Apesar de ter sido enganada com tantas declarações de amor digitais, com provas fúteis e instantâneas que não duraram um piscar de olhos. Apesar de todos os abraços serem de mentira para acalmar uma culpa que nunca foi minha. Apesar disso tudo, eu não me tornei amarga e nem desesperançada, o que muitos esperariam.

Eu vou continuar acreditando porque ainda vejo o amor onde ele brota, cresce e se desenvolve. Nas pequenas e simples coisas. No beijo delicado de uma mãe em sua filha que acaba de chegar ao mundo. Na mãozinha rosa e pequenina que segura a mão do tio que nunca, jamais, vai abandoná-la. Na amizade sem esperar nada em troca. Na expectativa de um momento único e sublime. No amor entre duas pessoas.

O amor visto assim, casualmente, quando ele olha nos olhos dela e, no meio da multidão, diz que a ama. Ou quando ela fica triste e toma um café solitária e ele chega com flores e o CD preferido. Ou quando ela decide por uma festa, ele por um filme e, no final, saem para jantar de mãos dadas. Ou quando ele vai se aventurar, sentir a adrenalina no sangue, brincar de ser dono do mundo, enquanto ela espera paciente, enterrando seus pés e brincando com a areia. Mesmo quando parece que vai acabar, quando parece que não tem mais jeito... ela encontra uma maneira de caber na vida dele, sem invadir, eu consigo ver daqui onde estou e ele aceita porque sabe que não vive sem ela. E em épocas de ondas pesadas e grandes que atingem a nossa vida e parecem que levam tudo de bom e de ruim e nos deixam arrasados e sem nada, sempre há com quem contar, mesmo de madrugada ou num feriado ensolarado. Ela conta com você, meu amigo. E ele, minha flor, sempre vai te procurar pelos cantos da vida dele.

De expectadora que sou, sei que o amor requer abrir mão de sonhos para construir outros ainda maiores. O amor requer perdas, danos e lágrimas para que seja percebido. Parece um vento brincalhão que nos força a percorrer nesse tufão de sentimentos, ora intensos, ora brandos, os caminhos para que a gente se encontre, e coloca a alegria perto de onde podemos alcançá-la para nunca deixarmos de correr atrás dela.

E basta uma palavra. Um sentimento assumido no peito. A garganta pronta a dizer sim ou não. E sim, vamos tentar outra vez. E não, não te deixarei de novo. Talvez sejamos felizes, quem saberá? Sim, eu sei que seremos felizes juntos. Não, não quero nunca mais te ver triste. Vai dar certo? Você não quer tentar? Sim, vamos tentar. Eu te amo. Eu também te amo.

E por causa de tudo isso, da minha condição de expectadora da vida, suas imperfeições e sua plenitude, que eu ainda acredito em tudo que põem à frente de meus olhos e tocam meu coração.

2 comentários:

Alguém, que já foi outro. disse...

Eu acredito no amor.
Discordo um pouco da definição de espectador da vida. Você é protagonista, e pela competência com a qual fala dela, a vida, posso dizer que és também a cineasta. Sem bem que isto não te impede de ser espectadora em outros momentos, é! em fim. Parabéns, bonito texto.

André disse...

Concordo com alguem, que já foi outro. Não pense que por se sentir expectadora da vida você não é responsável pelo que acontece. Mesmo você que prefira observar para tentar entender a vida (e as vezes fica até maluca por não conseguir) está interagindo a cada minuto com todo mundo, com o que acontece na minha vida, com o que acontece na vida de pessoas que você nem conhece.

Mas obviamente, adorei o texto, sou seu fã de longa data. E só para não perder a oportunidade, não restrinja o amor à relação entre duas pessoas. Amor é incondicional e quanto mais melhor. Ja conversamos sobre o poliamorismo e continuo achando que esse é um caminho mais interessante.

Se a mãe ama os dois filhos da mesma maneira, por que não pode amar dois homens ao mesmo tempo? Aliás, é melhor perguntar porque a mulher não pode dizer que ama mais de um cara ao mesmo tempo?

É...

Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor....

Paz e Luz!

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