segunda-feira, 20 de março de 2006

Me deixa...

Jú Mancin

Ouvindo Morphine (minha droga favorita aqui na fábrica)

As pessoas têm me perguntado se eu estou bem, ou, o que está acontecendo comigo.
Nada. Comigo tá tudo bem. Só ando meio avoada, meio impaciente, meio apaixonada, meio melancólica, meio qualquer coisa.

Na verdade, meio tudo o que eu sempre sou, a diferença é que ando instrospectiva.
Não! Individualista.
Acho que egoísta define melhor.

Não quero saber se você tá feliz. Eu tô feliz. Que me importa se você se apaixonou? Eu me apaixonei. Ahhh, tá rico é? E eu com isso? Minhas contas só cabem a mim.

Sei lá...

Hoje eu tô cansada da sua vida. Dos seus hábitos. Da sua presença e, mais ainda, dessa sua ausência. Tô cansada do seu nome. Dessa sua ladainha. Tô cansada da sua gentileza e tô cansada da sua finesse (sua etiqueta limpa minha bunda). Tô cansada e com preguiça de você. Hoje quero cuidar da minha vida. É só isso. Nada pessoal contra ninguém, só a favor de mim mesma!

sexta-feira, 17 de março de 2006

...blá-blá-blá...

Jú Mancin


Ouvindo Claire, Morphine

...ai, ai

...faz tempo que não escrevo aqui

...e não tenho muito o que dizer hoje não

...exceto o de sempre

...só que não vou dizer


...cansei de blá-blá-blá...

...foda-se que eu tenho saudade
...foda-se que ninguém me leva a sério
...foda-se que o brasileiro é burro
...foda-se que nem tudo é como eu gostaria que fosse
...foda-se que a tarde tá linda e eu tô trancada no escritório (o pôr-do-sol daqui é lindo)
...foda-se você
...foda-se! foda-se! foda-se!

...e foda-se se alguém achar que tem muito foda-se nesse post...

sexta-feira, 10 de março de 2006

Um aroma

Lu Minami

Ouvindo: Doze anos, Chico Buarque

Hoje de manhã, senti um cheiro diferente. Eu não sei, mas deu uma vontade imensa de chorar muito, estrebuchar até cair no chão. Mas não foi tristeza. É que era um cheiro muito grande que me lembrou coisas que eu achei que já tivesse esquecido. E a razão do choro foi esse. Como esquecer disso tudo?

O pão de manhã e o café com leite cheirosos. A janela que tinha o vidro todo ondulado e que deixava entrar a luz amarela e fazia prismas pela cozinha que eu e meu irmão tentávamos pisar. A minha cachorra enorme e que não sabia brincar ou a gente que tinha medo demais dela. A minha mãe pintando quadros. A gente embaixo de um endredon na sala com os meus pais, vendo filme e fingindo que estava super acordado, porque não queríamos dormir tão cedo. O pé de romã que eu plantei no quintal e que deu um monte de fruta. Eu me pendurando nas portas de casa, subindo com as mãos e pernas, como se fosse uma aranha. A empregada que brigava com a gente, mas que imitava o Zacarias do Trapalhões como ninguém. O caminho para a escola. O primeiro soco que meu irmão me deu porque eu batia demais nele. O bar da Sônia e os doces (e os bêbados) que tinham lá. Gelinho que vendia na vizinha da frente. A caixa d´água da casa ficava numa laje, que parecia um terraço do meu quarto e eu escapava para lá às vezes, para sentar no chão e olhar a rua deserta. O aquário de peixes dourados que morriam toda a semana e meu pai os repunha toda semana para não deixar a gente perceber a morte. O Fabinho, quando chegou da maternidade numa manta branca. O jardim, onde a gente tomava sol que depois foi cimentado. O telhado da vizinha que a gente subia para pegar as bolinhas. A minha escrivaninha que virava casa para a Barbie. Cada estante era um cômodo. O cigarro que eu roubei da empregada para ver como era e quase morri dentro do banheiro dela. Os saquinhos com água e purpurina que eu usava para brincar de fada. O cotidiano de brincadeiras. Uma rotina de tardes inteiras para brincar depois da lição de casa. Meu pai, que levava a gente dormindo no colo para dentro de casa, depois de uma festa na casa dos primos. Aqueles malditos baús de cama onde eu me enfiava para brincar de esconde-esconde e quase morria asfixiada. O carpete verde. O toca-discos. A Tatiana, minha boneca com os dedos todos comidos (por mim) e que a empregada nova jogou fora porque achou que a boneca era velha e suja demais. Os livros que eu lia encostada na parede do quintal enquanto comia uma maçã.

O cheiro que eu senti hoje de manhã foi de Xangri-lá.

terça-feira, 7 de março de 2006

Vida janelada.

Lu Minami

Ouvindo: Argumento, Paulinho da Viola


Eu tenho uma janela agora!
Ela é grande, deve ter uns 1,70 m de altura e fica bem na frente do meu nariz! Ela é transparente, sem insulfilm e fica no 10o andar. É bem agradável ter uma janela dessa e nessa altura em São Paulo, para ver a paisagem urbana, cheia de backlights e de congestionamentos, o mundo parece longe demais dos nossos pés. Ontem, por exemplo, o fim do dia estava fantástico. O céu estava meio amarelo, azul, rosa e lilás, com algumas nuvens de tom ocre e, se não fosse pelo ar-condicionado, eu teria sentido o cheiro da chuva. Isso tudo eu vi pelas frestas da persiana, é! É pena que tenham de ficar semi-fechadas durante a maior parte do dia, porque "a iluminação exterior afeta a visibilidade dos monitores", disseram.

Mas que se dane! Eu tenho janela!!! Deixei de ser um tatu confinado no 2o subsolo.

quinta-feira, 2 de março de 2006

The end

Jú Mancin


***com o coração apertado***

TODO CARNAVAL TEM SEU FIM!

Site Meter