segunda-feira, 16 de agosto de 2010

.eu sabia.

jú mancin

d°_° b no surprises, radiohead

a gente sabe. a gente sempre sabe…

o que nos mata e o que nos fortalece.

eu sabia que ficaria em silêncio de novo, que aquela estrela me calaria. eu sabia do medo que, ora ou outra eu ia sentir e que numa dessas madrugadas e meia, eu choraria em segredo a solidão do mundo, escondendo os olhos no travesseiro. sabia que flutuaria numa manhã ensolarada e sorriria, agradecendo ao cosmos por mais um dessas brincadeiras que acabam se tatuando em mim. sabia da ânsia que ia sentir por uma dose a mais e da amnésia que apagaria meus piores pesadelos. eu sabia que mais uma vez, não seria pouco isso tudo que berra aqui dentro e sabia que seria difícil dissimular. sabia de tudo quando me sentei na pontinha do penhasco para ver a vista lá embaixo. sabia até que me encantaria a queda, assim como eu sabia que minhas asas não seriam suficientes e que meu pára-quedas poderia não funcionar, assim, tão bem. e sabia que aquilo tudo, uma hora seria nada. [porque esse é assim que as coisas são]. eu sabia até que hesitaria por medo da queda e me trairia logo em seguida, porque também sabia que o medo não valia a pena. a verdade é que eu sabia e mesmo assim sorri pro destino e deixei o barco correr…

5 comentários:

Daniel disse...

Acho que sempre vale a pena deixar o barco correr. Melhor do que afundá-lo propositadamente. Pois nunca sabemos o dia de amanhã. Tomorrow never knows.

Daniel

neruda disse...

poderia escrever os versos mais tristes essa noite.

Lu M. disse...

"agradecendo ao cosmos por mais um dessas brincadeiras que acabam se tatuando em mim"

É... era isso que eu tava pensando hoje de manhã.

<3 Lindo!

Lu M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Augusto César de Alencar disse...

E mesmo sabendo de tudo isso, mesmo tendo o tempo necessário pra se preparar, quando chega a hora, não é tão fácil assim... Muito bom!

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