terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

#fail

ju mancin

d °_° b Help me, Joni Mitchell

 

sinto-me um peixe fora d'água.

fora de todas as águas, definitivamente.

a sensação que me acomete, e muito me assusta, é a de que lugar nenhum é meu lugar.

uma ave que não sabe voar, não sabe cantar, não sabe pescar e vive no fundo do mar

ou, um peixe que tenta botar ovos e viver num ninho.

no estádio sou corinthiana... bem no meio da rubro.

no bar, abstêmia.

na igreja, herege.

se deito para dormir, sou insône.

no cinema, eu durmo.

ao telefone me calo,

embaixo do chuveiro, à sós e em silêncio, eu falo.

nada do que digo parece fazer algum sentido.

e o sentir é algo que sufoco dentro deste baú de quinquilharias, que inoportunamente, eu chamo de coração.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

.amor.ideal.

ju mancin

d °_° b último desejo, noel rosa

e a vida velha finalmente volta a respirar.

a única que me inspira a abrir o coração e deixar jorrar o sabor agridoce de um amor ideal.

nunca houve amor maior. nem menor. porque de fato, nunca aconteceu. seus olhos que nunca me viram e suas mãos que jamais me tocaram…

o odor inebriante de um amor ideal.

meus versos prenderam-se ao papel e deixaram em branco aquela carta que nunca mandei. das tantas que escrevi…

seus dedos finos dedilham num piano velho as poucas e raras notas de um samba chorado. tão triste quanto o amor, aquele ideal.

e meus olhos se escondem atrás dos olhos de alguém que não te quer, amor ideal.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

amor

Lu Minami

Ouvindo: Volver
[Carlos Gardel]

Era demais, como nunca talvez tivesse sido. Olhares que se encontravam, mãos que retorciam uma nas outras procurando calejar as linhas cansadas da vida, acabar logo com aquilo. Ela ficou um tempo olhando a noite que abraçava a cidade num céu rosa alaranjado e quente, quase amável... para se tornar em seguida negro e cheio de promessas vãs. Pensou, amou com o peito que doía aquela história que tinha acabado. E ficou com medo de amar a próxima. Olhou de novo para ele, do outro lado da sala, que arrumava um disco apropriado para ela. Ela pensou: Ella. Ele pôs Louis. E o pavor tomou conta de cada célula que tremia de frio e pedia um abraço forte que a envolvesse até o ar acabar e o mundo voltasse a ser o que era antes, tóxico e morto, prestes a criar vida novamente. Era mais fácil dizer que gostava de Duke então. Mas isso só faria com que ele a quisesse mais ainda. E se ela batesse nele? Eles se amariam na fúria do outro. E se ela contasse sobre o outro? Ele nada diria e a beijaria, sua nuca ficaria arrepiada e ela ia sim se entregar, sem dó nem piedade de si mesma. Bastava dizer que odiava aquele quadro e ele o tiraria da parede para sempre. E se citasse que o amor era liquido e efêmero, ele a possuiria mais forte e intensamente do que nunca. Se ela pisasse no coração dele, miúdo e despreparado, ele jamais a deixaria. Se ela fosse embora, ele iria atrás.

Então ela disse: Eu te amo. E tudo acabou. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

.adeus.

jú mancin

d°_°b leave, R.E.M.

uma lágrima mancha a tinta azul que marca o papel. uma única e silenciosa lágrima, quase secreta, que escorre devagar, entre os poros e desaba em queda livre.

saudades do que quase não aconteceu. uma a uma, letrinhas enfileiradas desenham uma história do acaso. mais uma das tantas que o destino insiste em me presentear. uma boa história, contada em segredo,e guardada num baú de relíquias, junto das memórias de uma vida que não tive.

um cigarro a mais queimando no cinzeiro, enquanto no copo suado, o doce veneno me espera, para verter amargura em poesia. nem sempre funciona.

lá fora, a noite alta corre para os braços da alvorada. é a vida caminhando à passos largos. da janela vejo os pingos da chuva, escorrendo na vidraça. o céu chora minha saudade dessa vida que não vivi.

sinto que devo seguir. sem olhar para trás. esquecer. calar de vez essa voz, que não é minha, que dita as regras ao meu coração emburrecido pelo culto aos romances de bancas de jornais.

quero partir. [quem partiu meu coração] e entristeço quando reconheço; fui eu mesma quem deixou.

quero partir para longe de mim, num trem com grandes janelas, que me permitam ver a paisagem deixada para trás. a paisagem & seus olhos, num adeus silencioso, como a nossa história, que em segredo, nunca aconteceu.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

.perdi.

ju mancin

d °_° b dear prudence, the beatles

sinto algo triste rondando minha alegria, algo maior do que o meu sangue frio suporta e sinto medo da tormenta que se aproxima.

impotência. como se minhas mãos estivessem atadas.

fui além de onde deveria, ultrapassei a barreira do bom senso, dos bons modos. quebrei a regra da minha boa conduta e deixei fluir segredos em veias mansas. despertei de um sonho ruim e calmamente me libertei das sombras de um fantasma.

rodou.mundo.rodou.gigante. e eu, permaneci parada, em completo deleite, observando a dança sexy da tempestade que se aproximou. abri a janela para encarar o caos. gostei dos olhos. gastei meu tempo. perdi as forças…

hoje, me encontro na velha varanda silenciosa, sentada na velha escada de madeira, tendo um cigarro como companhia, ouvindo o chiado da vitrola velha, que grita com certa angústia a dor de um velho poeta, que trocou o amor por um par de chinelos velhos. perdi!

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