Lu Minami
Boa, Ju!
Mário Prata para acabar com o clima melancólico e tenso que este blog vem incentivando é um ótimo remédio. Tenho recebido comentários do tipo: "Menina, o que anda acontecendo com você? Seu Frontal acabou? Cadê a sua receita de prozac? Na verdade, você precisa de...". Ok, certo, entendido, câmbio.
Para desanuviar este espaço cibernético dessas nuvens negras, vou comentar sobre o assunto sugerido. Eu adoro fumar um cigarro (eu sei que é a desculpa de todo fumante, mas é verdade). Gosto do desenho cinza e aleatório que a fumaça faz quando sai da minha boca ou da fumaça retilínea para baixo quando sai das minhas narinas.
Gosto do aspecto "pseudo-intelectual" que ele me dá algumas vezes e do aspecto "vagabunda" que ele me dá outras vezes. Gosto de fumar depois de um café, de um cigarro, da comida e inclusive depois de ser comida, da cerveja, do cinema. Gosto do cigarro numa roda de amigos, jogando conversa fora num bar ou como sendo minha única companhia, na janela do meu quarto. Tinha uma amiga minha que balançava o cigarro no ar prum lado e pro outro e dizia, solenemente: "É o único jeito de se ver o passado".
Explico. A brasa forma um desenho enquanto o cigarro é balançado; então, com algum esforço, dava para ver o primeiro movimento e o último ao mesmo tempo. Passado e presente. Tá bom, um dia eu mostro para vocês.
Estava conversando com outra amiga sobre a ascensão e queda do cigarro. Décadas atrás, era o máximo fumar um cigarro. Não havia um roqueiro que não fumasse seu Lucky Strike ou Marlboro enquanto dedilhava sua guitarra e apertava os olhos, se concentrando naquelas
notas e melodias que até hoje fazem a nossa cabeça. As mulheres eram lindas, elegantes e independentes se fumassem em cigarrilhas, tubinhos pretos justos e usassem batom vermelho na boca em forma de coração. Fumar era sofisticado, coisa de gente descolada e era, ao
mesmo tempo, um símbolo da rebeldia deliciosa daquela época, em alguns casos.
Hoje, somos proibidos, rotulados de porcos e fedidos e parece que o mundo todo resolveu concentrar suas verbas de pesquisa em cima do tabaco para apontar quais eram as possíveis doenças que um fumante pode adquirir.
O Ministério da Saúde adverte: Cigarro causa câncer (todos os tipos), enfisema, insuficiência cardíaca e respiratória, mau-hálito, laringite, dentes amarelos, pesticidas, abortos, mau exemplo para crianças e adolescentes, gestação problemática, tira o apetite, blá blá blá.
Somos responsáveis pelo mal na humanidade, devíamos ser presos, julgados e condenados culpados. Pena? O exílio de todos os ambientes públicos. Agora eu só posso fumar escondida, na saída da carga e descarga do local do meu trabalho, ou com metade do corpo para fora da janela, correndo o risco de cair e ainda ser acusada de suicida retardada. Deviam é investir nas pesquisas para a busca da cura de todas essas doenças. Até porque, quem fuma pode realmente ter mais chance de desenvolver doenças e males como as que eu citei, mas o resto do mundo "não-fumante" também pode, seja por causa da pré-disposição genética, maus-hábitos alimentares, estresse, pressão do dia-a-dia, etc.
Como disse alguém muito sábio: Para morrer, basta estar vivo.
Depois de uma frase profética e tensa como essa, vou acender um cigarrinho lá na carga e descarga para dar uma relaxada.

